quinta-feira, 21 de maio de 2009

A hipocrisia humana em "Perfume"

Tudo bem. Não é o melhor filme sobre serial killers. Mas é interessante e não podemos deixar de dar méritos ao filme Perfume: a história de um assassino, de Tom Tykwer, lançado 15 anos depois do lançamento do best-seller, O Perfume, de Patrick Sueskind. O jovem Jean-Baptiste, nascido na precária e suja Paris do século XVIII – veja a cena do parto, é inebriante -, possui um dom especial, consegue perceber e distinguir os mais diversos odores – veja a cena em que ele sente o cheiro de um grupo de rãs dentro do rio. Obcecado em aprender a guardar o aroma de uma pessoa para sempre, ele começa a realizar experiências.

Depois de passar a infância num orfanato, sendo explorado por Madame Gaillard, torcemos pra que Jean tenha uma juventude mais alegre. No entanto, ele é vendido a um outro senhor, numa loja de tecidos de couro, que o explora mais ainda. Até que ele se torna aprendiz na perfumaria de Giuseppe Baldini (Dustin Hoffman em papel muito intrigante), que passa por um período de pouca clientela. Logo Jean-Baptiste supera o mestre e, criando novos perfumes, revitaliza a perfumaria. O problema, e sempre tem que haver um, é que ele descobre como “pegar” o cheiro de alguém e transformá-lo em perfume, mas para isso, ele começa a “matar” pessoas.

Tudo começa quando ele se encanta com o cheiro de uma vendedora de frutas. A moça, assustada com a aproximação de Jean, afasta-se. Mas ele vai atrás e a mata quase que por acidente. A partir daí seria interessante a máxima “depois de matar uma, as outras são mais fáceis”. E é o que acontece. Inicialmente, você pensa que a intenção dele não é matar, mas “coisas” acontecem para que ele tenha que “apagar” as moças. Totalmente sem lógica colocar num vidro o perfume de alguém. Mais ilógico ainda, matar doze virgens e uma prostituta para fazer o melhor perfume do mundo. Mas a questão toda não é essa. Ainda.

Jean-Baptiste é condenado à morte na cruz por seus crimes. A população, revoltadíssima, lança todo tipo de injúrias contra o réu e aplaude o carrasco, insistindo para que ele seja cruel nos açoites. Como num passe de mágica, o jovem, antes de sair para a execução, usa o perfume feito com o aroma das vítimas. O que acontece é uma mudança drástica no comportamento de todos, que entram num transe coletivo ao sentir o perfume. Chamam-no de anjo e inocente.

A cena, comparada por alguns críticos a um comício nazista, nos faz pensar sobre como a população é facilmente manipulada. Eles só precisavam de um motivo, seja para odiar ou adorar. O que fica ao final do filme é só a vontade de ler o romance alemão mais vendido no mundo.

Crítica:
“O enredo é altamente subversivo porque numa cultura como a nossa, minada pelo sentido da visão, chama a atenção para o olfato como uma forma de orientação no mundo. É transgressivo ao nos reportar simbolicamente à nossa natureza selvagem e predatória, a vontade de matar e assim nos presta um grande serviço, amenizando as pulsões violentas, através de uma catarse que só a grande arte pode proporcionar. É um filme lúcido na maneira como apresenta o indivíduo elevado à condição de mito, como alguém que se distingue dos outros mortais e por isso passa a ser idolatrado, mesmo sendo um assassino” Cláudio Cardoso de Paiva, professor de Comunicação na UFPB.

terça-feira, 19 de maio de 2009

O estilo irônico de Willy Wonka

Após um concurso mundial para escolher um sucessor na maior fábrica de chocolate do planeta, o menino Charlie Bucket é um dos escolhidos para visitar a famosa propriedade de Willy Wonka. O convite dourado estava dentro das barras de chocolate Wonka e dá acesso à um maravilhoso mundo que não recebia visitas há 15 anos. Encantado com as maravilhas da fábrica, Charlie fica cada vez mais fascinado com a visita.

A história é antiga, mas o filme não perde a originalidade. Lançado em 2005 e dirigido por nada menos que Tim Burton, filme conta com a participação cheia de charme de Jonny Depp no papel principal e pra mim, não ficou devendo nada à outra filmagem, lançada em 1971, do livro de Roald Dahl, de 1964. O musical, diferente de outros filmes do gênero, preza pela graça e colorido sem chegar a ser chato. Comum sair da frente da TV com a musiquinha dos Oompa-Loompas na cabeça.

Ao longo da história, uma série de “acidentes” acontece para tirar os visitantes da fábrica. Tudo sob o olhar irônico e cruel – só ele consegue fazer isso – de Willy Wonka, que acompanha a visita dos pequenos pirralhos à sua fábrica. No fim das contas, como era de se esperar, sobra apenas Charlie, o garoto pobre que come doces apenas uma vez ao ano, no natal. Como não poderia levar a família consigo, o pequeno recusa a fábrica e todo o dinheiro que vem com isso, mas ajuda o senhor Wonka a resolver seus problemas com o pai.

No fim das contas, como em toda história com final feliz, Charlie ganha a fábrica e Willy Wonka uma família. Um bom filme para ver no domingo com a casa cheia e muitos doces acompanhando. Bom para ensinar as crianças sobre o lado virtuoso e puro do ser humano contra o lado mau de sua personalidade, em referência aos personagens mimados e estragados pelos pais que vão sendo “eliminados” da disputa. Indicado ao Oscar de melhor figurino e melhor ator de comédia/musical para Jonny Depp.

Veja mais no site oficial.