terça-feira, 25 de agosto de 2009

Você acredita no Cinema?

A imagem do cientista que você vê nos filmes influencia o modo como você vê a ciência no mundo real??

A resposta a esta pergunta está no artigo de Nora Bär, A Ciência no Cinema, disponível no jornaldaciencia.org.br . No artigo, Nora fala desde 1092, quando Georges Méliès fez o filme Viagem à Lua, que o "cinema tem um romance meio atormentado com a ciência".

Isso por que, pasmem, entre 1931 à 1984, dos mil filmes de terror projetados na Grâ-Bretanha, 41% tinham os cientistas e a ciência como criadores do mal nas histórias. Isso quer dizer que mais de 400 filmes de terror exibidos no período tem um cientista vilão. Para a autora, a inclinação de retratar a ciência como vilâ e seu trabalho como uma atividade potencialmente perigosa está influenciando a imagem que o público forma da ciência.
Nesse ponto concordo com a opinião do sociológo alemão Meter Weingart, que diz que o fenômeno deve ser estudado. Ele diz que a descrição da ciência e do conhecimento científico (nos filmes) parece sugerir que (eles) são especialmente problemáticos da cultura popular.
Mesmo assim, acredito que, ainda que os filmes persistam em mostrar determinado estereótipo, a imagem de Fransktein e de Dr. Jeckyll e Hide, me parece tão fantasmagórica que não me leva a crer (enquanto espectadora) na ciência como algo que aconteça dessa forma mostrada pelos filmes, especificamente.

Uma coisa é certa, a ciência produz grande fascínio em seus telespectadores e nos que fazem o cinema. Mas, veja algumas conclusões da pesquisa feita por Weingart:
- o cientista típico dos filmes de Hollywood é em 96% dos casos, branco;
- Em 49% dos filmes o cientista é norte-americano e em 82% é homem;
- Um terço dos cientistas que aparecem na telinha são solteiros ou tem algum problema na vida afetiva.

Ainda assim, a ciência é tratada como algo confiável por boa parte dos filmes, mas o cientista, coitado, as vezes é bom, as vezes inocente, muitas vezes se misturam aos interesses dos poderosos se tornando vítimas deles, em outras oportunidades são idealistas, corruptos, ambiciosos e vão perdendo de vista as consequências de seu trabalho. Muitos deles não se importa com a ética quando o que está em jogo é adquirir novos conhecimentos. O sociólogo diz ainda que um quinto dos filmes retrata a ciência como uma atividade secreta que se desenvolve em lugares mais secretos ainda. Nora Bär termina seu artigo dizendo que espera para ver e crer que um dia o cinema possa retratar a ciência de forma mais próxima da realidade.
E você, em que acredita?

quinta-feira, 21 de maio de 2009

A hipocrisia humana em "Perfume"

Tudo bem. Não é o melhor filme sobre serial killers. Mas é interessante e não podemos deixar de dar méritos ao filme Perfume: a história de um assassino, de Tom Tykwer, lançado 15 anos depois do lançamento do best-seller, O Perfume, de Patrick Sueskind. O jovem Jean-Baptiste, nascido na precária e suja Paris do século XVIII – veja a cena do parto, é inebriante -, possui um dom especial, consegue perceber e distinguir os mais diversos odores – veja a cena em que ele sente o cheiro de um grupo de rãs dentro do rio. Obcecado em aprender a guardar o aroma de uma pessoa para sempre, ele começa a realizar experiências.

Depois de passar a infância num orfanato, sendo explorado por Madame Gaillard, torcemos pra que Jean tenha uma juventude mais alegre. No entanto, ele é vendido a um outro senhor, numa loja de tecidos de couro, que o explora mais ainda. Até que ele se torna aprendiz na perfumaria de Giuseppe Baldini (Dustin Hoffman em papel muito intrigante), que passa por um período de pouca clientela. Logo Jean-Baptiste supera o mestre e, criando novos perfumes, revitaliza a perfumaria. O problema, e sempre tem que haver um, é que ele descobre como “pegar” o cheiro de alguém e transformá-lo em perfume, mas para isso, ele começa a “matar” pessoas.

Tudo começa quando ele se encanta com o cheiro de uma vendedora de frutas. A moça, assustada com a aproximação de Jean, afasta-se. Mas ele vai atrás e a mata quase que por acidente. A partir daí seria interessante a máxima “depois de matar uma, as outras são mais fáceis”. E é o que acontece. Inicialmente, você pensa que a intenção dele não é matar, mas “coisas” acontecem para que ele tenha que “apagar” as moças. Totalmente sem lógica colocar num vidro o perfume de alguém. Mais ilógico ainda, matar doze virgens e uma prostituta para fazer o melhor perfume do mundo. Mas a questão toda não é essa. Ainda.

Jean-Baptiste é condenado à morte na cruz por seus crimes. A população, revoltadíssima, lança todo tipo de injúrias contra o réu e aplaude o carrasco, insistindo para que ele seja cruel nos açoites. Como num passe de mágica, o jovem, antes de sair para a execução, usa o perfume feito com o aroma das vítimas. O que acontece é uma mudança drástica no comportamento de todos, que entram num transe coletivo ao sentir o perfume. Chamam-no de anjo e inocente.

A cena, comparada por alguns críticos a um comício nazista, nos faz pensar sobre como a população é facilmente manipulada. Eles só precisavam de um motivo, seja para odiar ou adorar. O que fica ao final do filme é só a vontade de ler o romance alemão mais vendido no mundo.

Crítica:
“O enredo é altamente subversivo porque numa cultura como a nossa, minada pelo sentido da visão, chama a atenção para o olfato como uma forma de orientação no mundo. É transgressivo ao nos reportar simbolicamente à nossa natureza selvagem e predatória, a vontade de matar e assim nos presta um grande serviço, amenizando as pulsões violentas, através de uma catarse que só a grande arte pode proporcionar. É um filme lúcido na maneira como apresenta o indivíduo elevado à condição de mito, como alguém que se distingue dos outros mortais e por isso passa a ser idolatrado, mesmo sendo um assassino” Cláudio Cardoso de Paiva, professor de Comunicação na UFPB.

terça-feira, 19 de maio de 2009

O estilo irônico de Willy Wonka

Após um concurso mundial para escolher um sucessor na maior fábrica de chocolate do planeta, o menino Charlie Bucket é um dos escolhidos para visitar a famosa propriedade de Willy Wonka. O convite dourado estava dentro das barras de chocolate Wonka e dá acesso à um maravilhoso mundo que não recebia visitas há 15 anos. Encantado com as maravilhas da fábrica, Charlie fica cada vez mais fascinado com a visita.

A história é antiga, mas o filme não perde a originalidade. Lançado em 2005 e dirigido por nada menos que Tim Burton, filme conta com a participação cheia de charme de Jonny Depp no papel principal e pra mim, não ficou devendo nada à outra filmagem, lançada em 1971, do livro de Roald Dahl, de 1964. O musical, diferente de outros filmes do gênero, preza pela graça e colorido sem chegar a ser chato. Comum sair da frente da TV com a musiquinha dos Oompa-Loompas na cabeça.

Ao longo da história, uma série de “acidentes” acontece para tirar os visitantes da fábrica. Tudo sob o olhar irônico e cruel – só ele consegue fazer isso – de Willy Wonka, que acompanha a visita dos pequenos pirralhos à sua fábrica. No fim das contas, como era de se esperar, sobra apenas Charlie, o garoto pobre que come doces apenas uma vez ao ano, no natal. Como não poderia levar a família consigo, o pequeno recusa a fábrica e todo o dinheiro que vem com isso, mas ajuda o senhor Wonka a resolver seus problemas com o pai.

No fim das contas, como em toda história com final feliz, Charlie ganha a fábrica e Willy Wonka uma família. Um bom filme para ver no domingo com a casa cheia e muitos doces acompanhando. Bom para ensinar as crianças sobre o lado virtuoso e puro do ser humano contra o lado mau de sua personalidade, em referência aos personagens mimados e estragados pelos pais que vão sendo “eliminados” da disputa. Indicado ao Oscar de melhor figurino e melhor ator de comédia/musical para Jonny Depp.

Veja mais no site oficial.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Wolwerine estréia hoje em Maceió

Poucas vezes as estréias dos filmes chegam no Brasil ao mesmo tempo que no resto do mundo. Mas o sucesso de X-men é tão grande que nesta quinta-feira, 30 de abril, as duas maiores salas de cinema da cidade vão exibir o filme X-men Origens - Wolwerine, acompanhando mais de 500 salas de cinema e dezenas de cinemas ao redor do mundo.

O personagem é um dos mutantes mais famosos da série. O filme solo de Wolwerine conta a história do pequeno Logan no ano de 1845, quando descobre sua anomalia ao saltar garras de osso de suas mãos. Tempos depois, sua força é testada – junto com seu dom de regeneração - ao ir para a Segunda Guerra Mundial, acompanhado por Victor Creed (Liev Schreiber), também conhecido como Dentes-de-Sabre. O estopim da trama começa com a formação da Equipe X, composta apenas por mutantes, tendo fins militares. No comando está William Stryker (Danny Huston), que envolve alguns componentes do grupo no projeto Arma X, um experimento ultra-secreto. Querendo fugir de suas raízes assassinas, Logan resolve desistir do projeto, se refugiando em uma aldeia e vivendo um romance com Kayla (Lynn Collins). Obviamente, não irão deixar ele escapar de maneira tão fácil.

A Equipe X é formada apenas por mutantes, tendo fins militares. Entre seus integrantes estão Logan (Hugh Jackman), o selvagem Victor Creed (Liev Schreiber), o especialista em esgrima Wade Wilson (Ryan Reynolds), o teleportador John Wraith (Will i Am), o atirador David North (Daniel Henney), o obeso e extremamente forte Fred J. Dunes (Kevin Durand) e ainda Bradley (Dominic Monaghan), que manipula eletricidade. No comando está William Stryker (Danny Huston), que envolve alguns componentes do grupo no projeto Arma X, um experimento ultra-secreto. Entre eles está Logan, que precisa ainda lidar com o desfecho de seu romance com Raposa Prateada (Lynn Collins).

Não perca a estréia de X-men Origens - Wolwerine

Farol
14h - 16h20 - 18h40 e 21h (a partir de sexta 1º de maio)
Iguatemi
14h30 - 16h50 - 19h10 / 21h30 (a partir de sexta 1º de maio)

Um pouco de história, por favor

A primeira vez que em forma comercial o mundo foi apresentado a um filme, aconteceu em 28 de dezembro de 1895, quando os irmãos Lumiére deleitaram o público em Paris com recortes de mais de um minuto de duração, exibindo imagens de um trem passando pelos trilhos. Em menos de uma década o cinema deixou de ser atração de feiras e circos para se tornar o que é hoje: uma grande indústria internacionalmente organizada. Desde 1927 os filmes caíram no gosto do público e tornaram o cinema a indústria de entretenimento mais popular da história.

No Brasil, o cinema apareceu já em 1986, no Rio de Janeiro; e, em 1897 já tínhamos nossa primeira sala fixa, o Salão de Novidades Paris, de Paschoal Segretto. Sobre o nordestino do nosso cinema, Paiva (2006:8) fala que “nas representações do cinema brasileiro, o nordestino aparece associado a signos de nordestinidade, como seca, pobreza e virtude ou Arete, em grego”.

O que se pensa muitas vezes é que grande parte dos filmes com temática nordestina, produzidos no Brasil até hoje, tratam este personagem como um ser que está preso às figuras do mártir, do sertanejo virtuoso que desenvolve sua existência numa dimensão trágica. A autora diz ainda que “é categorizada uma identidade social nordestina que opera como um sistema de reprodução cultural, promovendo nas pessoas o sentimento de participação (ou não) da idéia de ser nordestino”.

As constantes mudanças histórico-político e sociais nos incentivaram a entender e querer ver este nordeste, que à priori, não encontramos na maior parte dos filmes apresentados. Sá (1967:16) aponta a importância do cinema sob vários aspectos “da economia e da técnica, da ciência e da arte, da educação e da cultura, no campo social, familiar e pessoal, quantas possibilidades, problemas e dificuldades”. Acrescenta ainda a autora que “cinema, arte, cultura, economia e religião são os mais importantes interesses do homem e da civilização que o cinema mobiliza, colocando-se por sua vez à disposição e ao alcance deles todos”.

Mais novo espaço sobre cinema em MCZ

Este é um blog para falar de cinema. Sim, mas não só cinema. Porque cinema não é só cinema. É arte. E arte merece espaço em todos os lugares.